Há pouco
tempo, passei a notar a presença de um novo verbo criado em nossa região. Falo
de um neologismo híbrido cujo radical veio do inglês acrescentado do sufixo
–ar, indicador de ação em nosso português. É um tal verbo “playar”. Muito falado entre os mais jovens ou adultos
de pouco senso. O dito verbo ficou comum, e junto com ele também ficaram comuns
as diversas formas de endividamento possíveis para que a tal ação de “playar”
se concretize.
Como tinha dito acima, ou é coisa de imaturo, ou é coisa de insensato. O fato é que com a onda de “playar”, o número de inadimplentes (caloteiros) também cresceu vertiginosamente; pois todos querem “playar”: jovens, velhos, homens, mulheres e até crianças. É uma febre!
O pior de tudo isso, é que na ânsia de tirar onda precocemente, e entrar no imenso grupo dos playadores; muita gente que, a médio e longo prazo, poderia de fato se tornar um playboy, torna-se, na verdade, é um membro dos sistemas de proteção ao crédito (spc, serasa, etc).
Tomemos como exemplo duas pessoas que eram desempregadas e passaram em um concurso qualquer, ou arranjaram um emprego. Suponhamos que ambas começaram a trabalhar no mesmo período e com o mesmo valor salarial. As duas passaram a ter um salário de R$ 2.500,00. O primeiro queria “playar”, então, logo que recebeu o primeiro ordenado, tratou de comprar um carro em prestações que de tão longas, fazem com que o carnê sirva até de tamborete. Além deste singelo carnê do veículo, vieram outros do crediário de roupas novas e de grife, do celular da hora, do tablet, entre outros itens supérfluos, mas que caracterizam o “play”. Também não devemos nos esquecer das dívidas para montagem do som no carango que, supostamente, já é de propriedade do play em ascensão mesmo antes dele ter pago sequer duas das 60 ou mais parcelas. Resumindo, após três anos, o dito “play”, além de não ter um tostão de reserva para a manutenção da “playagem”, ainda contraiu uma dívida, sabe deus de quanto.
O segundo ex-desempregado, tendo o mesmo salário e reconhecendo as inúmeras necessidades básicas de que padecia antes de ter o seu ganha-pão, como: falta de alimentação balanceada, itens de higiene e limpeza, melhoramento da moradia. Resolve sanar tais carências, ao mesmo tempo em que poupa cerca de R$ 12.000,00 por ano. Ao final dos três anos que se passaram e avolumaram um saldo negativo para o primeiro, o segundo acumula uma poupança que gira em torno de R$40.000,00. Dinheiro que cria uma pequena, porém sólida base, para se adquirir um automóvel, ou terreno ou outra coisa qualquer. Daí, surgem então os comentários malévolos do antigo “play” que de play não tinha nada:
__ Ah, fulano ganha do mesmo tanto que eu, e está ficando bem de vida! Deve estar roubando ou então passa é fome!
Este exemplo muito se assemelha também com alguns políticos que insistem em gastar tudo que é recurso sempre nos mesmos lugares, onde supostamente as pessoas playam. É preciso que se enxerguem as necessidades maiores, mais urgentes e mais antigas. Não adianta comprar belos sapatos sem antes tratar as feridas dos pés. Não adianta limpar a frente da casa se por dentro ela permanece imunda. Não adianta dar mesada para os filhos sem antes comprar o medicamento dos velhos pais. Pois assim, a aparência de riqueza, bons tratos e ostentação, logo, logo, revelarão o verdadeiro estado de miséria em que vive e sempre viveu o disfarçado e desajuizado “play”.

tem cada morto de fome que so quer usar hollister e em casa como ovo, mas tão na moda
ResponderExcluirSempre saquei isso, por trás de um "play" se esconde um liso e endividado!Aparenta com o que é dos outros!
ResponderExcluirO QUE IMPORTA É SER PLAY O POVO GANHA UM SALARIO MAIS SO QUER USAR COISA CARA É FODA
ResponderExcluir"Muito falado entre os mais jovens ou adultos de pouco senso"
ResponderExcluirQuanto preconceito nas palavras do Polígrafo.
Esse anônimo que postou o último comentário nâo sabe nem o que diz.
ResponderExcluirÉ aquela velha história de aparentar para ser melhor aceito. Mais um excelente texto. Parabéns, Polígrafo.
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