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O Vigilante de Avião



Uma via para aeroporto fora construída na cidade. Nela ao meio dia, um senhor humilde vigia o monomotor, abrigando-se sob a sombra da asa esquerda da aeronave. O dono está na cidade resolvendo negócios importantes, tão importantes a ponto de comprar aviões e construir aeroportos. E ele, o senhor sob a sombra do avião e também sob a sombra da sociedade, sorrir feliz ao protagonizar aquela cena. É ele a única autoridade aeroporto-área da região. Num mundo no qual se precisa de vigias, ele vigia o alimento do dia. O avião é pequeno, mas o homem autoridade é menor ainda perto do dono do avião. E nestes tempos de aviões, de pistas de aeroportos, e sondas, e descobertas de gás, nós, os mearinenses, precisamos despertar do nefasto sono do conformismo. do contrário, o progresso virá, mas somente quem vem de fora saberá usufruir de tudo que sempre tivemos em nosso quintal, seja a terra, o subsolo, ou até mesmo nossas formas de ser e de agir. Se não nos prepararmos, eles serão os empreendedores, e nós os surpreendidos e apreendidos. Ficaremos à sombra, sorridentes, nos achando o máximo, mas tão somente aguardando a gorjeta diária como bons e inconfundíveis vigilantes de avião.

Autor: Wescley Brito

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