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Carnaval do Povo e o Circo?




Samuel Barrêto
É autor do Livro: A Rua da Golada e sua Identidade
Quando menos esperamos o carnaval já está em nossa porta, e tome fole a vontade, ou se brinca querendo ou irá brincar indiretamente através do som que vem ao lado, de banda, do inteiro e da metade, mas o importante é que alguém vai querer mostrar alegria, mesmo que a panela esteja vazia. Bem, o meu questionamento não está só na feitura do carnaval (que é algo tão europeu, que nós fizemos uma festa tão nossa), mas da maneira de como ele costuma saquear os cofres públicos de cada município, pela paca compreensão que tem os governantes, dando o estilo da cruel Roma, “pão e circo”, mas dignidade que bom, nunca chega.

O assunto não pode ficar estabelecido por ciúmes e outras coisas que vez por outra acabam tirando o verdadeiro sentido do que se quer de fato ser dito e ouvido por diversas opiniões, mas alicerçar um debate para a construção de varias ações, dando assim para a festa do povo, o que de fato é do povo, uma estabilidade financeira, não deixando que a economia de cada Município vá engordar contas de poucos, deixando um caos para um pós-festa. Vêm então perguntas: e o carnaval é do povo mesmo? É? Então qual é mesmo a razão da separação social que já vem ocorrendo este fato há tanto tempo? E não me venha dizer que o abadá organiza o carnaval, e que um grupo paga para fazer tudo aquilo, com trios, bandas, seguranças e outras coizitas mais, tudo é pago com o dinheiro público que edifica a melhor estrutura e a prestação de contas não sei como é feita.

Mas a briga maior ainda está acontecendo nos bastidores, e como o carnaval se tornou uma foz com uma força grande, o jeito foi canalizar através do dialogo de várias conferências de cultura, a importância de introduzir a arte de cada Município dentro da programação da festa, fazendo com que o dinheiro que é nosso (digo povo, já que sou parte dele e com muito orgulho), possa ficar circulando e gerando economia, dando a dignidade para muitos. Por exemplo, nos últimos anos os artistas de Pedreiras e Região tem tocado no carnaval, ficando com uma porcentagem do que é gasto na festa e ainda colocam os seus nomes nas propagandas que são feitas. Mas este ano aconteceu algo que fora estranho, além de uma divulgação imensa, dizendo que a folia de momo seria a maior já vista em Pedreiras, e a maior parte de bandas e artistas de fora, dando um pequeno espaço nas vinhetas e outdoor com: “bandas locais”- fiquei sem jeito, até parece que tudo que havia sido conquistado e debatido antes, tinha ido de ralo abaixo. Será que agora o nosso som e a nossa música não vão mais ter nem rosto, nem nome e nem acordes? Acorde para uma realidade tão nossa e respeito é bom, ainda mais quando ele é conquistado através de fóruns dentro da legitimidade, como ocorreu aqui, e sem fazer muito arrodeio e parafraseando o velho Lua, “FUP respeite a nossa arte” e para fechar com chave poética, nada melhor do que João do Vale: “meu samba é a voz do Povo”- bom carnaval para todos!

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